Painel

Discutir os principais entraves existentes no Brasil atual que, lamentavelmente, têm contribuído para que a prestação de serviços de transporte se faça a custos muito maiores do que aqueles praticados nos principais países do mundo, com qualidade ainda inferior e que, ao longo do tempo, tem dificultado a realização das atividades produtivas e diminuído a competitividade dos produtos brasileiros.

Comparando-se com tudo aquilo que foi observado nos eventos anteriores – PAINEL 2014 e PAINEL 2015 -, analisar o que já foi feito e o que ainda não foi viabilizado, seja por falta de recursos ou por não ter, sequer, sensibilizado as autoridades responsáveis.

O foco principal do PAINEL 2017 será a discussão desses problemas e a busca de soluções para que os investimentos em infraestrutura logística, na qual o transporte doméstico tem fundamental importância, voltem a ser, com eficácia, realizados.

Autoridades dos governos federal, estaduais e municipais, dirigentes de entidades de classe, representantes de instituições financeiras, de pesquisa e inovação, empresários dos ramos automotivo, ferroviário e aquaviário, dutos viário e aéreo, consultores e empresários dos serviços brasileiros de logística, jornalistas, professores e estudantes.

Consequência do aumento da movimentação de bens econômicos, entre os diversos centros de produção e consumo brasileiros, as operações logísticas, e mais especificamente, aquelas voltadas ao transporte, estão cada vez mais complexas e com graus de dificuldades ainda maiores.

Velocidade, integridade das mercadorias movimentadas e baixos custos, são alguns dos objetivos que se colocam, naturalmente, aos agentes e responsáveis pelas operações logísticas. Realizar o transporte de mercadorias com eficiência e proporcionar excelência operacional, através de serviços cada vez mais sofisticados, são condições fundamentais para que se alcancem esses objetivos.

As atividades logísticas, portanto, têm crescido de importância na medida em que os mercados se expandem e os consumidores comportam-se de forma cada vez mais exigente. Novos mercados surgem em regiões que, até então, não constavam no mapa de prioridades, de governos ou de empresas. Novos consumidores e fornecedores são incorporados ao mercado todos os anos, completando um quadro desafiador para os profissionais da logística.

Em função disso o transporte de mercadorias, que sempre teve como missão, entregar o produto certo, na quantidade certa, no lugar certo, no tempo certo e com o menor custo possível, agora, diferentemente de épocas passadas, tem que estar, juntamente com as demais atividades logísticas, integrado nas estratégias, seja de empresas ou de governos.

As atividades de planejamento e de execução, bem realizadas, além de diminuir os custos de movimentação, possibilitam, a empresários e governos, acesso a novos mercados de insumos e produtos, ajudam a alavancar a força de marketing, a explorar mercados mais distantes, a agregar valor ao produto, a gerar satisfação ao cliente e a promover o desenvolvimento econômico, na medida em que é através da logística, que empresas e países podem obter vantagens competitivas significativas.

Apesar dos esforços no sentido de se organizar e controlar eficientemente os investimentos direcionados para a infraestrutura de transporte, esta última, como comprovam diversas pesquisas, não tem conseguido estar à altura das reais necessidades brasileiras. Embora isso seja realidade em todo o mundo, o caso brasileiro é um exemplo ainda mais notável. Nossas atividades comerciais, tanto aquelas voltadas para o mercado interno como aquelas voltadas para o mercado externo, ainda carecem, e muito, de operações mais eficazes e de uma infraestrutura logística compatível.

O Brasil, além da enorme burocracia estatal e das dificuldades para elaborar projetos de indiscutível qualidade, conta, e contará ainda, com limitações orçamentárias importantes. Ou seja, mantidas as condições atuais, o Brasil continuará investindo mal e com volumes aquém de suas reais necessidades. Nem o PIL (Programa de Investimentos em Logística), em sua 2ª fase, com fortes apelos mercadológico e propagandístico do governo federal anterior, conseguiu realizar o que estava previsto e, tampouco, inspirar confiança nos principais investidores do setor. Dados relativos ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também não são nada animadores.

Por outro lado, mesmo que a iniciativa privada se mostre interessada em investir em infraestrutura de transporte, é preciso que a autoridade pública lidere o esforço de conjugar todos os planos, de modo que o mercado possa aproveitar as vantagens de uma logística mais eficiente e de cada modal de transporte. Do contrário, os investimentos, que já estão com décadas de atraso, continuarão destinados apenas a iniciativas isoladas e sem conexão entre si.

Embora a vontade política para se enfrentar esses obstáculos seja o primeiro passo, é evidente que a realização desses investimentos, repita-se, com significativa participação do setor privado, terá que suplantar outros obstáculos de ordem política, quando não ideológicos. Cada projeto é um projeto e, portanto, demandará tempo para o seu entendimento, compreensão e viabilização, mas é necessário que haja avanços.

É imperioso reverter esse quadro e voltar a investir. Não só porque a infraestrutura de transportes é imprescindível para o aumento da eficiência e da diminuição dos custos da produção, mas porque esse tipo de investimento colabora diretamente com o crescimento da economia, pois ao viabilizar as atividades produtivas, internas ou voltadas ao comércio exterior, coloca-se como fonte de geração de emprego e rendas.

Diante disto, o PAINEL 2017 será o espaço adequado para que se discutam os problemas e as soluções que tenham, como objetivo principal, o retorno da qualidade, da eficiência e da eficácia dos investimentos voltados para a expansão e a melhoria da infraestrutura de transportes em todo o Brasil.

Com base em relatório apropriado, serão feitos contatos com as principais autoridades brasileiras do setor, no sentido de se colocar, clara e concretamente, as conclusões do PAINEL 2017. Por ser fundamental, também serão feitos contatos com todos aqueles que operam ou se utilizam da logística de transportes no País, pois mesmo considerando o difícil momento atual pelo qual passa o novo governo brasileiro, é necessário pressioná-lo, bem como outros que virão, para que os investimentos de ampliação e melhoria da infraestrutura de transporte sejam transformados em políticas de Estado, pois a falta deles, ou com alguns realizados para a consecução de objetivos duvidosos ou sem visão de futuro, continuarão gerando graves problemas para nossa economia, para nossas empresas e mantendo nosso País no atraso. De fato, uma boa e necessária agenda para qualquer governo de plantão.

Com base na contribuição de especialistas, acadêmicos e profissionais, sejam eles do setor privado ou do governo, serão discutidos temas ligados ao:

  • Fortalecimento das agências reguladoras ligadas à logística e ao transporte que, além de retomarem suas autonomias e priorizarem a competência técnica, precisarão se livrar das influências e nomeações políticas;
  • Restabelecimento das atividades de planejamento como forma de se preservar a integração das diversas políticas do setor e de se evitar a sobreposição de funções institucionais e os conflitos de gestão;
  • Transformação da EPL (Empresa de Planejamento Logístico) em empresa que, de fato, tenha condições para organizar, estruturar e qualificar o planejamento integrado da infraestrutura e da logística no Brasil;
  • Definição das regras e dos marcos regulatórios que, de forma clara e transparente, consigam atrair a iniciativa privada para os projetos de infraestrutura logística, em complemento àqueles realizados pelo governo;
  • Introdução da Governança, inclusive do “Compliance”, como instrumentos inegociáveis da administração e controle dos investimentos correspondentes;
  • Priorização de projetos, de tal forma que, além dos mais viáveis, sejam realizados aqueles que sejam compatíveis com as políticas maiores (econômicas e de investimentos em infraestrutura logística) e que possam maximizar os ativos já instalados.

O Instituto Besc de Humanidades e Economia, promotor de significativos trabalhos para arregimentar entidades, empresários, administradores, autoridades dos poderes executivo, legislativo e judiciário dos três níveis da Federação, além de estudiosos e estudantes, para a discussão de relevantes temas econômicos, sociais e culturais, no Brasil e no exterior.

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